sexta-feira, março 08, 2019

Quem sou eu?

Minha alma está desencontrada por muito tempo, estou vazia sem um espaço preenchido.

Habituei-me tanto a dar, a ver outros desfrutaram, a ver os outros sorrirem, a ver os outros renascerem que esqueci-me de mim.

Quem sou eu?

Estou demasiado a acostumada a estar sem estar presente, a ver sem poder observar o que poderia estar a minha frente, passei a tocar corpos por tocar esquecendo que o meu estava ali á espera de um pouco de carinho,cuidado, tranquilidade e adrenalina.

Caminhei distâncias na minha mente para chegar onde queria, mas a certo ponto deixei de ter um completo comando sobre mim e todas as cores amarelas, vermelhas e verdes começaram a ficar meio turvas, os meus olhos abertos queriam estar cerrados de sangue por ter secado todas as lágrimas que esgotei esperando que tudo iria ficar bem, a minha voz foi arrancada de mim com todas pedradas que o meu coração levou durante esse tempo todo.

Esqueci de existir com todas as possibilidades e oportunidades que insisti colocar no colo de outras pessoas esperando que fossem salvar, mas eu sei que estavam lá no topo vendo a minha queda com um sorriso nos lábios, uma raiva localizada dos pés á cabeça e uma vontade solitária de mandar-me embora.

Estou perdida, sem forças e não consigo levantar-me os meus maus pensamentos estão a prender-me ao chão como uma lama preta que vai cegando e fazendo com que eu não saiba que para além disto existe vida lá fora, existe felicidade, alegria, não existe tristeza, raiva, lágrimas, perdição,dor e desilusão.

Eu devia saber que tudo isto iria acontecer, o meu coração avisou-me tantas vezes enquanto eu dançava nesses jardins vestida de branco com rosas no colo e o calor do sol nas minhas costas e o sabor do vento na minha boca, até ao dia em que todo aquele jardim secou e eu fiquei secando junto com ele até toda essa tesão momentânea acabar comigo.

Até que a minha boca foi cozida porque a minha voz não deveria existir mais.



quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Gostinho de felicidade

Num mundo de infelizes, de promessas garantindo felicidade e de pequenos ultimatos de esperança, chegas tu sem promessas e fazes-me feliz.
 No meio desse mundo infeliz aí achei que realmente posso ser feliz, posso saborear um pouco desse gostinho. 
Deixo-me levar por essa onda de protestos na minha cabeça e questionamentos, mas com um sorriso enorme, coração cheio, pele macia e agradecida.
Estou grata meio tremendo em poder sentir-me bem de novo, em poder ser essa mulher que sou, sem medo. 
Apenas feliz, grata pelo abraço, grata pela preocupação, a saudade e a presença forte de mais para aquecer a minha alma, acalmar a minha voz, adormecer a minha mente e querer acordar de novo e estares aqui. 
É isso!

domingo, fevereiro 10, 2019

Querido amigo

Querido amigo,

Apesar de ter demorado tanto tempo a escrever-te talvez porque era mais difícil tentar descrever-te os meus pensamentos, os meus sentimentos e principalmente a minha a dor.

Lembro-me das muitas vezes em que via-te a sorrir e das muitas vezes em que realmente pude ajudar quando a vida não estava a sorrir para ti.

Foi bom ter feito parte da vida mesmo que o tempo tenha encurtado o nosso caminho.

Gostei do tempo em que fomos amigos e de poder sentir o mesmo olhando nos teus olhos porque agora já não consigo lembrar-me nem de cor deles, nem do seu tamanho e nem da sua expressão. 

O meu coração ficou despedaçado em perceber que viraste-me as costas e deixaste-me presa com o meu silêncio.

Parece que deixaste a raiva, o ódio e os maus pensamentos sem cabimento tomarem conta da tua mente.

Sofri e chorei demais porque realmente soube reconhecer que eu valorizava mais a nossa amizade, eu não mudei, eu continuo nos mesmos lugares com os meus valores, mas mais uma vez desiludida.

Talvez continuo sem ver que de certa forma a nossa amizade começou a fazer-me mal, de maneira muito tensa algo que não deveria acomtecer, mas entre segredos e risadas eu estava a ficar doente e não estiveste lá para amparar a minha queda.

Lembro-me que o meu presente de aniversário para ti foi apenas um pequeno gesto, um presentinho pequenino de apenas desejar boa sorte.

E se fosse a última coisa que poderia dizer-te é que não odeio-te, eu desejo-te tudo de bom porque no tempo em que éramos amigos aprendi muita coisa e depois disso mais lições tirei.

Tentei localizar a dor que senti por ter perdido na busca da minha felicidade, em concentrar na realização dos meus sonhos, e também deixar de partilhar demasiada coisa da minha vida e talvez foi quando eu parei de fazer isso passei a escutar a minha voz interior.

A minha voz interior falava comigo e dizia-me o tempo todo que eu iria magoar-me e os julgamentos que tu tinhas depositado na minha mente simplesmente deixaram de existir, e agora encontro-me em paz e silêncio.

Não tenho que preocupar mais se as pessoas pensam tal coisa ou se falam, eu simplesmente coloquei na minha mente que eu quero saber da minha vida, não quero falar nem saber do que não me diz respeito.

Não quero contribuir em histórias destrutivas e acabar como eu acabei magoada apenas quero estar em paz de espírito, acabar o meu dia e agradecer por tê-lo vivido.

Agradeço o bem e o mal que fizeste, mas eu acabei por seguir em frente e decidi ser feliz assim.

Alma



A minha boca sente-se só com um pouco de apetite de poder alimentar-me de uma alma.
Tenho vindo a perder as forças com a falta de um abraço gostoso de arrepiar-me a espinha e trazer-me á vida de novo.
Os meus olhos suplicaram pelos os teus olhos não se apaixonaram por outros que não sejam os meus.
Desejo que o nosso olhar se cruze por uma vida inteira sentindo o teu toque tanto fisicamente como psicologicamente tudo o que eu desejo é apenas estar presente em algum lugar teu.
És meu, só mesmo quando as chegadas e as partidas passam constantemente por nós enquanto, eu tento resgatar o tempo perdido longe um do outro, do beijo, da tesão que ainda está em nós.
Mesmo não podendo estar onde estás agora, sei que sempre irei ser a mulher que irá pernoitar contigo todas as noites.
Assim, quero que leves o meu amor, quero que antes então eu te possa amar, quero que sejas o meu cuidado, meu abrigo, o meu último abraço...

terça-feira, janeiro 29, 2019

Limbo



As nuvens estavam cinzentas carregadas de água, estavam um vento frio que fazia com que deixasse de sentir os dedos dos meus pés, os meus lábios estavam roxos e para a minha grande sorte perdi o último autocarro da noite.
Sentia frio e desolada por estar sozinha ás tantas da noite, tentei mandar-te uma mensagem e ligar-te, mas não tive sucesso. Eu pensava que quando eu precisava de ti tu não estavas ali.
A minha casa ficava distante da cidade e decidi ir a pé para casa pensando no medo e na quantidade de malucos que poderiam estar aí á solta.
Á caminho passou um carro no meio da estrada fazendo sinais de luzes que ilumizavam o meu corpo molhado pela chuva que já havia apanhado, e que coincidência!
Eras tu! Enquanto, eu carregava raiva de estar sozinha, ir a pé, ter apanhado chuva, apareceste tu, eu não saberia se haveria de agradecer-te ou perguntar-te o que estavas ali a fazer e discutir contigo, só porque sim!
Entrei no carro sem fazer muitas perguntas e pedi-te para levares para casa, encostaste o carro e disseste que sentias-te distante,carente e perdido.
Na verdade, queria estar distante de ti mesmo quando tu concentravas o olhar no meu e nós estavamos numa confusão de sentimentos que já sabíamos que não fazia muito sentido procurarmos um pelo outro.
Não demorou muito para o meu corpo parecer que estava a pegar fogo, que as tuas mãos estavam a volta do meu pescoço enquanto brincavas com o meu coração.
Desapertaste-me o soutien sem qualquer dificuldade e deixavas a tua respiração quente fluir entre os meus seios, arrancaste-me as cuecas vermelhas de renda que tinha comprado ontem, eu pensei no dinheiro que gastei com elas, mas ao mesmo no prazer que proporcionaste quando as tiraste.
Desejava não parar por ali, queria descarregar a minha raiva por ti e ao mesmo tempo libertar a tesão que estava concentrada nos nossos pontos essenciais.
Lá estava eu nua no banco de trás do teu carro a viver mais uma aventura, mais uma dança na nossa pista de dança, mais uma loucura da qual iremos sempre recordar.
Eu tinha a certeza que não poderia ficar muito tempo do teu lado que a única coisa que queria era esclarecer-te o que sentimos debaixo de uma manta, dentro de um carro, um elevador ou num jardim isolado parecia que não tenho um rumo certo contigo e quando penso nisso é tarde demais.
É tarde por estar envolvida com a tua pele, o teu suor, o teu sorriso malandro, esse olhar que conta-me histórias e essa voz que canta-me músicas ao ouvido.