terça-feira, 3 de novembro de 2015

Dançando com a Solidão

Gosto de sorrir, mas tenho chorado muito, tenho chorado, gritado e chorado ainda mais.
Fico num canto apertando o meu corpo para tirar todo esse medo, vergonha de mim.
Choro e continuo a chorar...
Quando passo um sítio mais alto eu penso no que aconteceria se dali saltasse e fico com a maior atitude cobarde a pensar que tudo acabaria se saltasse aquela ponte.
Normalmente, a tristeza passa e fico feliz de novo, mas esta tristeza insiste em vir e eu acabo por dar-lhe um novo nome de solidão.
Eu tenho um par para esta dança, mas não sei se ele quer continuar a dançar e a nossa dança é tão linda parece que quando dançamos os dois tudo passa a correr bem.
O meu par acaba por sorrir mais, amar mais, saltar e brincar mais.
De repente, chegou a solidão e pediu a minha mão para esta dança e o meu par deixou-me ir dançar com a solidão.
A solidão pedia para ficar com ela perto dela e enquanto dançava escorriam lágrimas e eu gritava para o meu par vir buscar, mas ele ficou apenas observando a dançar com a solidão, eu pedi tanto, mas tanto...
A solidão agora pega em mim e dança comigo mesmo quando eu já não quero, mas ela parece levar-me para fora da pista, ela só quer ficar sozinha comigo, ela quer dizer tudo de negativo, fazer sentir a pior mulher no mundo.
No final de tudo, a solidão levou-me á ponte onde estava para saltar e quando olhei lá para baixo via o reflexo do meu par na água e ele apenas ficou a olhar para mim e disse : Não te atires para aqui, apenas dança.



nono

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