quarta-feira, novembro 13, 2019

Até que a morte nos separe



Estava o meu cigarro na boca e enquanto travava o fumo para poder libertar aquela toxina que estava a mergulhar para os meus pulmões ficava distraída a observar os passos de outras pessoas, focava nos seus sorrisos e tentava não pensar na minha desgraça.
Eu queria deixar de pensar no quanto aquele cigarro estava a matar-me aos poucos e poucos sem eu me aperceber, e lembrava-me da quantidade de vezes que respirei perto do teu pescoço quando achava que estava segura no teu peito.
Contava-te as melhores e as piores histórias que tinham marcado a minha vida, ás vezes as horas passavam e amanhecia, eu pensava como era feliz por contar-te tudo sobre mim.
Por vezes, chorava e enxugavas as minhas lágrimas e dizias-me como o mundo era injusto, e que juntos iríamos vencer o mundo enfrentando tudo e todos. 
Ultimamente, as minhas lágrimas são profundas demais para quereres decifrar ou até mesmo quereres enxugar, passavas por mim vezes sem conta sem te aperceberes que essas lágrimas escondiam os piores momentos que passamos juntos.
O cigarro não estava a matar-me, mas sim a ideia que ficaria contigo até que a morte nos separasse.
Ns nossos amanheceres fazíamos as promessas e pedíamos um ao outro para não deixarmos de nos ajudar quando um de nós caísse no abismo.
Nos piores pesadelos fui assassinada por ti, nos meus piores pesadelos senti medo das tuas palavras, nos meus piores pesadelos eu não tinha um demônio sentado no meu peito apenas via o teu olhar carregado de ódio pronto para deixar-me sufocar vezes sem conta.
E quando acordava desses pesadelos eles eram bem reais, sentia o teu toque, sentia o teu beijo que de um tempo para cá deixou-me de tranquilizar.
Sentia falta de poder deitar na minha cama sem sentir o pesar da minha respiração descontrolada, o soluço entalado na minha garganta como se tivesses tido escolha de tirar-me o ar para eu poder respirar.
Eu queria respirar para continuar a poder ter certeza de que não estavas a escavar a minha própria cova com todas as forças que tinhas.
Deixava de ver os raios de sol que traziam um pouco felicidade quando tu estavas ali para acabar com a minha voz e o meu corpo mergulhar num sono anormal.
Tinha medo da ideia desse sono anormal como aqueles sonhos em que corres para alcançar algo, mas tem alguma um ser sobrenatural que puxa
-me para trás, e quando estou a pensar que estou a chegar ao final descobri que tu tinhas uma arma carregada para disparar 4 vezes contra o meu coração.
Sinto frio e não há nada que aqueça o meu corpo, posso gritar por ajuda, mas tu não estás lá para ouvir-me, posso pedir por um abraço, mas recebo um aperto mais gelado que aquele abraço quente só uma mãe sabe dar.
Estou a congelar vendo as tuas palavras a desvanecerem com o tempo, tu estavas ali para abandonar-me.
Não sabia se estavas ali para matar-me de uma vez por todas ou ver-me sofrer aos poucos porque eu sei que o teu ponto forte era torturar-me, e depois deixar-me ali vendo os meus olhos deixarem de ver luz.
Os meus pensamentos estavam a lutar contra o meu coração iam ficando cada vez maiores e perigosos, eu estava a chegar ao final da nossa linda viagem.
Não queria perder-te e punha-me de joelhos pedindo que parasses, eu queria tanto que parasses, eu queria que ouvisses mais uma vez, eu queria que tivesses me amado mais que uma vez, eu queria que não tivesses desistido e nem planeado o meu fim, eu pedia perdão, mas as balas fizeram congelar por nós, e o meu corpo voar para o lado oposto do teu corpo.
A primeira bala foi por querer-te demasiado ao ponto de esquecer-me que eu existia.
A segunda bala foi por todas as vezes que deveria ter deixado ir embora.
A terceira bala foi todas as vezes que não perdoaste as minhas falhas, e mesmo assim quiseste lá ficar.
E a quarta bala foi por um amor prometido e que mesmo assim não foi o suficiente para durar.
Acabaram as quatro balas, e já consigo ver finalmente o meu descanso tão esperado até que a morte nos separe.
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