quinta-feira, abril 26, 2018

Caí no abismo




Corro contra a maré onde as ondas levam-me para longe, vejo-me pálida e sinto-me fria.
Uma dor pesa dentro de mim como se usasse todas as minhas forças e corresse numa areia movediça tentando alcançar os braços que não estarão mais ali para salvar-me.
Caio com o peso do meu corpo, e fico imobilizada com os sons da natureza os mais bonitos que alguma vez ouvi, tento levantar o meu corpo, mas nada consegue mover-se a não ser os meus olhos que estão carregados de lágrimas.
Vejo uma sombra escura tomar conta do céu azul e ela não deixa-me viver, ela quer que eu fique ali quieta, sossegada com os meus pensamentos mórbidos que consomem toda a minha alegria.
Fui abandonada com uma corda com um enlance que só um marinheiro poderia fazer, os meus braços estavam a favor da prisão.
Vivia na prisão do meu corpo que submetia a deixar de sentir cada vez mais o que fosse.
Estava incapaz de voltar amar, estava incapaz de voltar a sorrir ou até ter um olhar que via mais do que folhas de outono mortas no chão da calçada.
Cheguei ao abismo sem poder despedir-me com uma carta doce e amarga ao mesmo tempo, queria ter deixado um carta com o cheiro de eucalipto pelas florestas que já percorri e pêssegos frescos da época.
Acabei a letra de uma música tocada a piano pensando que no dia em que eu estivesse a ser levada para longe estaria a ser tocada para todo o mundo ouvir.
Tresandava cheiro a queimado e nem tinha dado conta que tinha queimado todos os livros da minha vida, livros que contavam histórias de amor com fins perfeitos ou até mesmo sem fins porque na verdade, o amor não foi feito para ter fim.
O amor foi para ser vivido á brava sem ter de pensar que um dia estaria a enterrá-lo num lugar que nunca mais poderia encontrar.
A minha queda no abismo parecia ser infinita e conseguia sentir os seus cabelos na minha pele pedindo para ficar, quando apenas estavam ali perdidos.
Perdidos no meu olhar que gritava pela solidão, pela paz, pela segurança.
Que gritava para que eu voltasse a resnascer com um flor de lótus cheia de luz e força.

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