quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Não preciso mais ficar

Não vou dançar mais apartir de agora vou correr em direcção aquela luz que vejo a minha frente, não sei exactamente o que ela irá decidir sobre mim.
Antes eu tinha uma asas cheias de brilho e poder, agora de nada servem talvez irei oferecer a quem realmente pertence.
Chegou a hora de coroar um outro rei e uma rainha porque eu sei que assim que despir-me dessa coroa todas as folhas de outono dançaram ao meu redor, as borboletas que moram dentro de mim darão oxigénio a outro alguém.
Talvez preciso de chegar ao fim e deixar tudo para trás as lembranças, as memórias grudentas que moram em mim.
Deste fim devo ter que largar tudo que atormenta e fez o mundo sufocar quando eu pensei que a natureza estava ao meu favor.
As minhas lágrimas foram ditadas pelos compassos,pausas e a orquestra que compunha a melodia do meu fim.
Não existiram mais poesias arruinadas pela sensação de um vazio que levará ao nada.
Quem disse que a felicidade finalmente seria minha mentiu-me com todos os dentes que tinha na boca.
E agora só consigo observar o meu rosto no espelho esmigalhado de azar e pranto que resolveu morar  aqui.
Se eu fosse do mar mergulharia com ele.
Se eu fosse do vento dançaria com ele.
Se eu fosse do fogo queimaria junto com ele.
Se eu fossse da terra enterraria junto com ela porque eu sou pó apenas isso.
É uma verdade nua e crua, mas eu sou pó.
Não preciso mais ficar porque no meu coração um dia eu morei e com ele perdurarei.

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