segunda-feira, 18 de abril de 2016

Não lamento a tua morte, eu celebro a tua vida



Mãe é tudo o que temos na vida!
Dora é o nome dela e nunca chamei de mãe, nunca mesmo, sempre chamei pelo nome porque chamava a minha avó de Mamã e minha mãe nunca se importou com isso.
Até hoje não consigo lembrar da minha mãe com as frases:" Ela era, ela fez, ela falou", simplesmente não consigo, ela continua bem presente na minha vida.
A minha mãe foi muito cedo e gostaria que pudéssemos ter vivido mais momentos e que pudéssemos ter discutido mais porque a melhor parte era como eu tinha vergonha de pedir desculpa pelos meus erros.
A minha mãe era uma mulher de paz e harmonia e nunca deixarei de falar disso, ela tinha uma voz tão calma e relaxante que nunca iria querer ser inimiga de uma pessoa tão calma, nem sei explicar...
Desde a fase do velório, do funeral, dos tempos de choro e sofrimento em casa, eu penso sempre que ela foi á rua comprar pão como fazia todas as manhãs, mas agora está a demorar mais do que o normal a voltar.
Adquiri muitos costumes e vícios da minha mãe, mas sinto a presença dela na roupa que ainda tem o cheiro dela, sinto a presença dela da forma como chamava pelo meu nome, da forma como queria sempre carinho e eu achava ela uma chata, ás vezes, sinto a presença dela nas nossas brincadeiras e nas músicas que ouviámos juntas.
Eu sei que estarei sempre ligada a ela porque herdei o dom da escrita de uma poeta.
Dessa forma, não lamento a morte dela porque sei que está a descansar de uma vida de tanto sofrimento, mas foi tão bom estar com ela 9 meses dentro da barriga dela, ela ser a minha primeira memória e o meu maior exemplo sendo assim celebro a vida dela todos os dias.
Eu amo-te Dora!

nono

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